CARVALHO, José Murilo de. Os Bestializados
INTRODUÇÃO
Aristides Lobo →Segundo ele, o povo, que pelo ideário republicano deveria ter sido protagonista dos acontecimentos, assistira a tudo bestializado, sem compreender o que se passava, julgando ver talvez uma parada militar.
Louis Couty → o Brasil não tem povo
Autor rejeita a visão maniqueísta de que o Estado é um vilão e o povo vítima indefesa porque acaba por bestializar o povo. Para ele a relação povo-Estado é uma via de mão dupla, embora não igualitária.
"Todo sistema de dominação, para sobreviver, terá de desenvolver uma base qualquer de legitimidade, ainda que seja a apatia dos cidadãos." p. 11
"Embora proclamado sem a iniciativa popular, o novo regime despertaria entre os excluídos do sistema anterior certo entusiasmo quanto às novas possibilidades de participação." p. 12
Burguês primeiro cidadão moderno.
Rio de Janeiro era a maior cidade do início da República, com mais de 500 mil habitantes.
A historiografia é uma projeção do presente sobre o passado. p. 14
CONCLUSÃO
A República se anunciou como regime de liberdade, mas acabou se consolidando com o mínimo de participação eleitoral, exclusão do movimento popular e reforçando o poder oligárquico.
"O peso das tradições escravista e colonial obstruía o desenvolvimento das liberdades civis, ao mesmo tempo que viciava as relações dos citadinos com o governo." p.162
Quiseram tornar o RJ uma vitrine e isso inviabilizou a inclusão do povo na vida política e cultural, pois ele não se encaixava nos moldes europeus.
Povo era figurante ou expectador, e mesmo quando participava possuía "uma visão entre cínica e irênica do poder, a ausência de qualquer sentimento de lealdade, o outro lado da moeda da inexistência de direitos." p. 163
Foi a cultura popular que deu um senso de comunidade ao RJ e não a política.
"A Cidade, a República e a Cidadania continuam dissociadas, quando muito perversamente entrelaçadas. O esforço de associá-las segundo o modelo ocidental tem-se revelado tarefa de Sísifo." p. 164
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